Análise de “The Exiled”

Publicado em 10/03/2017 - 22h00 por Vitor Henrique

The Exiled é um MMORPG no estilo de mundo, Sandbox com elementos de gerenciamento e visão octogonal em terceira pessoa. Desenvolvido e publicado pela desenvolvedora independente Fairytale Distillery, o jogo coloca o jogador na pele de um personagem em busca da sua liberdade no meio de um mundo isolado, esquecido e hostil, dominado por diversos monstros e seres que querem destruí-lo. O principal objetivo do jogo é sobreviver ao meio de outros jogadores e monstros, construindo casas, aldeias, acampamentos, armas e armaduras, tentando sobreviver junto com seu clã.

 

O risco para o original

É necessário iniciar a analise ressaltando algo primordial do jogo, antes de passar por todas as características e dando uma opinião sobre as qualidades e defeitos.

The Exiled é um jogo que se baseia em diversas ideias já executadas e vistas anteriormente, porém que tenta reinventar muitas coisas, fugindo muitas vezes do padrão. O risco que o jogo coloca sobre ele mesmo faz com que se torne o típico produto ame ou odeia.

O jogo é muito arriscado, buscando misturar um intenso PVP em campo aberto, divisão de clãs, um ambiente totalmente hostil, em um MMO com elementos de RPG, em um mundo Sandbox, além de um balanceamento totalmente fora dos padrões. UFA. Com essa pequena descrição, já é possível imaginar como o jogo divide, e dividirá ainda mais, opiniões.

Enfim, esse início de analise foi somente para alertar que existe quase total chance de vocês discordarem ou concordarem com 100% das opiniões que virão a seguir.

 

Não se defina por classes

Talvez uma das grandes características impares de The Exiled é o fato do jogo não possuir nenhum tipo de escolha de classes, algo extremamente comum em MMOs, principalmente nos que apresentam algum tipo de elemento RPG. O jogo prefere se guiar no seguimento do player se definir pelas suas ações, distribuições de itens, melhorias e escolhas de armas e armaduras.

Logo ao início, na fase tutorial, já é possível escolher sua armadura, indo da mais leve e dinâmica até as mais troncudas, e armamento, que são as  armas clássicas de corpo a corpo, como espadas, arco e flecha e magias. Ali a definição já pode começar a ser feita, mesmo podendo mudar a arma e armadura a qualquer momento do jogo.

A grande ideia do desenvolver aqui é trabalhar com o apego e ações do usuário, o fazendo escolher um estilo de jogo, e não uma classe ou seguimento. Assim, o jogador pode moldar seu próprio personagem, sem ficar preso a ideias ou segmentos, somente ao que ele acha certo ou errado diante do ambiente do jogo.

É difícil dizer que é funcional, pois é confuso definir sua classe pelo estilo de jogo, sem existir nenhum tipo de classe, mesmo os ataques especiais serem moldados a partir da arma escolhida, sendo quase que uma predefinição a se seguir.

É a principal, e talvez maior, característica original do jogo. A ideia agrada bastante, mesmo deixando os mais experientes em MMO perdidos.

 

Os gráficos que poderiam ser melhor

The Exiled possui gráficos aceitáveis. Existe uma boa distribuição de cores, efeitos interessantes quando ocorrem ataques, tanto do protagonista como dos inimigos, e uma ambientação bem competente. Porém, a falha de detalhamentos, pesa bastante na qualidade e avaliação final.

Como a câmera está um pouco distante, principalmente pela visão estar de cima do personagem, os defeitos gráficos acabam ficando focados na ambientação. Acontecem em alguns momentos que certas partes do ambiente ficarem mal detalhadas, como se estivesse faltando um polimento final, itens de interações feios e estranhos, além de alguns efeitos de destruições estarem sem nenhuma ação.

Como falado anteriormente, os gráficos são aceitáveis, mesmo com as falhas. Não jogue esperando algo fantástico e excepcional graficamente, com efeitos e ambientações únicas, porém o jogo não deixa a desejar no quesito, atrapalhando bem pouco a experiência.

 

As boas funcionalidades de Sandbox

Os elementos de Sandbox do jogo funcionam perfeitamente. O mundo do jogo funciona perfeitamente para o usuário explorar, mesmo existindo delimitações e missões a se seguir. Os itens para craft de melhorias e novas armas ou armaduras são um desafio bem interessante, precisando explorar e matar bastante inimigos para consegui-los. E a construção de acampamentos é um charme bem cativante do jogo, principalmente após juntar-se a algum clã de amigos ou pessoas ingame.

A ideia de trazer mais um sandbox MMO é arriscada, pelo fato de ser um gênero com diversos jogos sendo lançados, porém, em The Exiled, tudo funciona muito bem.

Claramente, o jogo não busca reinventar a roda do Sandbox, a originalidade dele está em outros elementos, porém tudo funciona como a cartilha manda aqui. A construção e procura de acampamentos é bem trabalha e muito importante, o gerenciamento de itens para fazer craft é um dos melhores elementos do jogo e o mundo é bem completo.

 

Os altos e baixos das missões

As missões vivem de altos e baixos. Na verdade, não temos missões bases, onde o jogador deve seguir e se guiar. Existem, sim, oportunidades, que darão para o personagem mais XP e itens, caso o jogador consiga completa-las. É algo bem típico de jogos Sandbox.

O sistema de oportunidades é funcional, mesmo não sendo algo tão necessário e empolgante para quem está jogando. São missões interessantes, porém bem repetitivas e maçantes, além de muitas vezes servirem somente para guiar o usuário e ensiná-lo algo da mecânica.

Essas missões e objetivos só não atrapalham mais, pois não é o objetivo principal do jogo, que no caso é sobreviver nesse hostil mundo. Então, como um sistema para melhorar e evoluir as habilidades do personagem, com pequenos objetivos, o funcionamento é satisfatório.

 

A ótima mecânica de combate

Aqui, temos o melhor ponto positivo do jogo. A mecânica de combate é muito intensa e sabe manter o clima hostil em alta, além de ataques rápidos e necessários.

Possuindo a mira de ataque livre, tanto para ataque a longa distância, como para os de corpo a corpo, o sistema de combate é bem intenso. O jogador não necessita ter uma estratégia em si, somente conseguir atacar e não sofrer danos, já que os inimigos sempre estão indo em direção a ele. O fato de não possuir nenhum tipo de sistema de desvio, torna tudo ainda mais intenso, porém, algumas armas, possuem escudos para defesa. No PVP o sistema se torna um pouco diferente, necessitando um pouco de estratégia diante dos elementos em jogo, porém isso ficará explicado nos próximos tópicos.

Os ataques especiais também são bem trabalhados, conseguindo deixar ainda mais intenso o combate, já que eles precisam ser carregados a cada utilização.

Enfim, o sistema de combate é a principal qualidade do jogo, ainda mais em um mundo hostil que você precisará enfrentar diversas hordas de inimigos com ataques rápidos, sem pensar muito.

Os pequenos grandes detalhes

Enquanto falta um apego maior em pequenos detalhes na arte, na jogabilidade e interação com o ambiente eles sobram. Existem interações com arbustos, onde é possível se esconder de inimigos e outros player, cada personagem no jogo deixam pegadas no chão, onde é possível segui-los, além dos diferentes tipos de ataques especiais, que foram citados acima.

Esses pequenos detalhes, que são muito bem trabalhados e distribuídos, dão um charme e qualidade maior ao jogo. É comum utilizarmos e notá-los. É algo que não é totalmente original, mas tão bem executado que se torna uma identidade do jogo.

Enfim, esses pequenos detalhes acrescentam muito ao jogo e a jogabilidade, possibilitando mais maneiras do jogador sobreviver nesse mundo hostil.

 

A péssima HUD e a boa trilha sonora

A distribuição dos elementos na interface do jogo é bem bagunçada. A HUD possui muitos elementos, além de serem mal trabalhados. Diversos elementos sem conexão ficam próximos, além de serem bem grandes e ocuparem um espaço desnecessário. Todos os elementos da HUD podem ser minimizados, porém ainda assim não fica melhor ou menos bagunçado.

A trilha sonora não é a melhor do mundo. Ela é bem repetitiva, e nada original, sendo músicas bem básicas para o estilo do jogo. Porém elas não incomodam e até acrescentam um ambiente interessante de intensidade, mudando corretamente nos momentos necessários. Ponto positivo para a trilha.

 

O insano e intenso PVP

E para o final, deixamos um dos principais elementos do jogo, seu intenso PVP em mundo aberto.

O PVP do jogo, quando jogadores ou clãs se enfrentam uns aos outros, é guiado em mundo aberto. É possível encontrar outros jogadores andando pelo mapa e começar um confronto com ele. O que deixa tudo bem aleatório e insano, com o jogador precisando ter os olhos atentos do início ao fim.

Lembrando que foi citado que o sistema de combate mudará um pouco durante um PVP? Então, será necessária a utilização de uma estratégia melhor. Isso acontece pelo fato da inteligência artificial dos inimigos serão basicamente de atacar sem pensar, somente indo para frente. Já quando enfrenta outro player, o jogador precisará utilizar seus ataques especiais com maior cautela, além de saber utilizar os elementos de arbustos e campo aberto para ludibriar o adversário.

O sistema de combate do jogo foi feito exclusivamente pensando no PVP. Os desenvolvedores queriam algo intenso e direto. O mundo deve ser realmente hostil, com o jogador ficando com medo. Isso pode agradar ou não os amantes do MMO. É um sistema arriscado, como citado.

Conclusão — The Exiled vale a pena?

The Exiled é sim um excelente jogo. Possui elementos originais e sabe trabalhar opções que já foram vistas em outros jogos. Claro, o jogo não agradará muita gente, será normal a divisão de opiniões sobre ele, principalmente pelo seu intenso sistema de PVP em mundo aberto. Porém, é impossível falar que o jogo é falho nessa tentativa, na verdade, é muito competente. Enfim, The Exiled já é um dos bons MMO do ano.

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