Otherland

Publicado em 23/09/2016 - 21h38 por Márlon Vieira

Desenvolvida pela Drago Entertainment e publicada pela Gamingo, “Otherland” é um MMORPG Cyberpunk de ação. As ambientações, narrativa, personagens e os inimigos buscam uma referência nas histórias de Tad Williams, um dos grandes mestres dos romances de ficção cientifica, porém o jogo acaba falhando muito nessa busca de inspiração. A narrativa e ambientação do título se passa em um futuro do século 21, onde o mundo está vivendo um dos seus auges do avanço tecnológico. Um grupo de milionários resolve criar um ambiente de realidade virtual gigantesco, como outro mundo, porém elas acabam desenvolvendo grandes e sérios problemas com as pessoas que está imersas ali, como paralisação, guerras e prisão das pessoas no local.

Antes de iniciar a analise das características in game, acho importante relatar alguns problemas que tive com os servidores e acesso ao jogo, e pesquisando na internet percebi que muitos também tiveram. Temos dois tipos de servidores, o norte americano e o europeu. O norte americano só foi jogável duas vezes, nas outras dava que minha conta não existia ou entrava e caia logo em seguida. No europeu, foi mais o acesso foi mais fácil, porém muitas vezes o servidor também tinha alguns problemas de conexão e voltava para tela inicial ou travava.

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É de fácil entendimento e compreensão problemas que ocorrem durante o desenvolvimento de um jogo que precisa de um servidor bem estruturado para ocupar um grande número de jogadores ao mesmo tempo, mas esses problemas são um tanto quanto desanimadores e frustrastes, podendo fazer a pessoa desistir facilmente que encarar tudo isso para jogar.

Também aconteceu algumas vezes um problema ao apagar a personagem. Ele simplesmente não era eliminado, porém não teve muitas informações sobre isso na internet, então pode ser um problema exclusivo meu.

Um problema que não é um bug, porém atrapalha bastante antes do inicio do jogo é a tela de loading inicial, quando acabamos de criar a personagem e iremos iniciar o jogo, ser extremamente demorada. É comum perder cerca de 3 a 6 minutos esperando o loading acontecer.

 

Um pouco sobre as classes

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O jogo entrega quatro tipos de classes distintas e especificas para cada tipo de jogador. Pode parecer um número pequeno de opções, ainda se falando de um MMORPG, porém isso acaba sendo um acerto do jogo, pois estamos falando de um mundo Cyberpunk, onde o personagem principal não é um humana. Então o foco em classes simples e diretas é uma escolha boa dos desenvolvedores.

Entre as classes temos:

Warrior: classe padrão de todo o RPG. Um personagem troncudo, forte no combate e lenta na esquiva e movimentação. Uma boa classe para iniciantes, pois não é necessária muita pratica e se adapta fácil a ela. Os seus poderes especiais são criativos, equilibrando ataques em área e direto no corpo. Suas armas são todas grandes e que são necessárias as duas mãos da personagem para segura-las. Seu principal ponto fraco é sua velocidade reduzida que atrapalha um pouco durante o combate.

Assasin: outra classe bem conhecida dos jogos de RPG. É um personagem ágil e que tem poderes especiais baseados na sua agilidade ou ataque corpo a corpo. Ele traz consigo a habilidade de invisibilidade, conseguindo atacar sem ser notado certos inimigos. Também é uma boa classe para iniciantes, pela alta quantidade de ataques corpo a corpo. Suas armas são leves e que devem ser atacadas corpo a corpo. Seu ponto fraco principal é a sua fraqueza.

Marskman: uma classe de atirador em distância. Seus principais ataques são com suas armas de precisão, saindo de arco e flecha até armas com sniper potentes. Seus ataques especiais são interessantes, pois eles também são ataques a distância, porém parecendo ser algo como uma magia que ele lança. Ele é um pouco difícil para quem não está muito acostumado com personagens de ataque a distância. Um ponto interessante dele é o fato de ele também ser bem rápido, um pouquinho menos que o Assassin. Já ponto fraco é a sua fraqueza tanto para atacar como para defender.

Energizer: a classe mais interessante e diferente entre as quatro. Ela também é voltada para o ataque à distancia, porém não tanto quando o Marskman. Seu principal ponto forte são os ataques rápidos e seus poderes que consegue dar suporte para ele mesmo, aumentando seu poder de ataque e poder de defesa. A classe traz um pouco de dificuldades para iniciantes, pelas intensidades dos ataques que devem ser rápidos e diretos.

Como citado anteriormente, foi uma escolha certa ter poucas opções classes, no entanto, faltou um pouco de desenvolvimento e criatividade para deixá-las mais atraentes e interessantes. Talvez uma pequena polida em todas as classes com uma história de fundo melhor ou visual diferente seria bem interessante.

Algo bem curioso e interessante que o jogo apresenta sobre as classes, é a possibilidade de o jogador testar a classe antes de iniciar. Ao escolher a opção de teste, o personagem é mandado para um mundo e  se vê diante de um mini tutorial enfrentando alguns inimigos, para ter certeza se aquela classe é boa ou eficaz para o seu estilo de jogo.

 

A customização é… espera, que customização?

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Normalmente, não se tira um espaço grande para falar sobre a customização, principalmente numa critica de um jogo de MMORPG, onde elementos como narrativa e combates são mais interessantes e importantes, porém não poderia deixar de citar a falta de ousadia e criatividade na customização do personagem principal de um jogo que o tema central é o cyberpunk.

A customização em “Otherland” chega a ser vergonhosa e ridícula. A simplicidade é levada ao extremo. Só podemos arrumar o visual da pintura corporal da personagem, seu tamanho, físico e cor, tudo sendo bem predefinido. Os desenvolvedores poderiam ter se arriscado mais, buscado detalhes mais intensos e abusando das tecnologias futuras, deixando na mão do usuário uma customização bem mais interessante e criativa. Deveriam ter se inspirado mais em jogos como “Mass Effect”.

 

O entediante tutorial e início de jogo

Ao criar sua classe, e passar pela demorada tela de loading, somos apresentados ao ambiente de jogo. O ambiente realmente é muito belo, será mais bem exemplificado para frente, porém o tutorial que demora cerca de 20 minutos para ser completado, parece demorar muito mais. As missões e desafios são entediantes. Boa parte é somente conversar com alguém, enfrentar uma quantidade de inimigos, que dão um respawn sem sentido de tanto em tanto tempo, e pegar algum item. Isso se estende até chegar à cidade, onde as personagens e narrativa começam a ser mais interessantes, porém ainda sem muito sal ou carisma.

Outra critica dura que deve ser feita ao tutorial é o fato dos inimigos serem fortes em excesso. É possível derrotá-los, porém, a chance de morrer algumas vezes é grande, já que ainda estamos nos ambientando ao jogo e entendendo como as classes funcionam. Outro problema com os inimigos é o sistema de respawn, citado anteriormente, que aumenta a dificuldade e deixam um pouco sem sentido certas missões que pedem para derrotar certo número de inimigos, porém que ficam dando respawn. É como matar um enxame de abelhas, mas só eliminando duas, e deixar as outras se criarem.

 

Sistema de combate um tanto quanto simples

Certo, muitas vezes menos é mais, principalmente falando de sistema de combate. Existem muitos exemplos onde um sistema de combate é bastante eficiente e foge da confusão, porém em “Otherland”, a simplicidade é levada ao extremo.

Não podemos falar que o sistema de combate do jogo é a pior coisa nele. Ele é eficiente e não atrapalha em nada, além de ser de fácil entendimento o modo que deve utilizar o golpe simples e especial. Porém, o grande problema, ocorre na falta de criatividade. Não temos grandes mudanças de ataques, combos diferentes ou movimentos exuberantes das personagens. Ele é muito simples, onde devemos somente atacar o inimigo, com ataques bem parecidos sempre. É como se faltasse mais emoção na ação.

Porém, para não citar apenas os pontos negativos, os ataques especiais são até que interessantes. Apresentando diferença boa entre as classes e os níveis de evolução. O jogo permite ao usuário organizar um modo de ataque. Uma organização simples, mas que até causa um diferencial.

 

Nem tudo é péssimo

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Quando tudo parecia ser um caos completo, o jogo apresenta uma ambientação para poucos fãs de cyberpunk colocarem defeito. Com uma belíssima direção de arte, boa construção de inimigos e ambientes bem futuristas e bonitos, o jogo apresenta uma imersão visual bem criativa.

A ideia de ter vários tipos de mundos, onde a ambientação de cada um é diferente, trás uma diferenciação grande durante o gameplay. Poucas vezes nos sentimos no mesmo ambiente ou sentimos uma repetição de fatores.

A distribuição de cores, sendo vivas ou mais mornas em certos momentos, também deve ser citada, pois causam a sensação correta no jogador, no momento correto.

Se existe uma falha na ambientação, é o problema em o jogador não poder interagir com quase nada. Não existe uma mudança com a interação da personagem ao ambiente, tirando um pouco a parte viva das coisas. Além do jogador não poder destruir ou mover quase nada que existe ao seu redor.

Os gráficos não são perfeitos, existem alguns momentos em que há quedas de qualidade, porém no geral são bonitos e agradáveis.

 

Os altos e baixos da interface

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Enquanto temos ideias bem criativas na interface, como mostrar que a vida da personagem está chegando ao fim com uma vermelhidão aparecendo nas bordas da tela, assim dando um ar de emoção e tensão ao jogo. Temos ideias terríveis, como a fraca distribuição da HUD, com um mapa no canto inferior, ocupando mais espaço do que realmente deveria. Além dos botões de especiais em um espaço pequeno no canto inferior direito.

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