Servidores privados geram prejuízo de US$ 240 milhões por ano na Coreia do Sul, aponta governo

Publicado em 22/05/2026 - 03h52 por Márlon

A discussão sobre servidores privados voltou a esquentar nos últimos meses, principalmente após ações envolvendo alguns dos MMORPGs mais conhecidos do mercado. No Brasil, a Gravity intensificou a derrubada de servidores privados de Ragnarök Online, enquanto a Blizzard fez o mesmo contra projetos não oficiais ligados a World of Warcraft. Agora, porém, a Coreia do Sul sinaliza que pretende levar essa ofensiva ainda mais longe.

O governo coreano decidiu incluir o combate aos servidores privados no chamado “Projeto de Normalização Nacional”, pacote que reúne prioridades estratégicas do país. Entre as medidas em estudo estão punições mais severas para operadores dessas plataformas, incluindo indenizações punitivas, novas multas e um sistema de bloqueio emergencial para derrubar rapidamente sites e programas ligados às operações ilegais.

Segundo dados divulgados pelas autoridades locais, cerca de 177 mil servidores privados foram identificados nos últimos cinco anos, mas poucas ações realmente terminaram em punições pesadas. O próprio governo admitiu que, nos últimos seis anos, apenas 27 casos chegaram a uma sentença definitiva — e a maioria terminou com penas suspensas ou multas de cerca de 5 milhões de won, algo próximo de US$ 3,3 mil.

Acontece que hoje, muitos servidores privados acabam tratados apenas como “jogos sem classificação oficial”, o que resulta em punições leves. O ministro da Cultura, porém, defende uma mudança mais dura na interpretação da lei, argumentando que esse tipo de operação normalmente envolve roubo de código-fonte, invasões de sistemas e atividades organizadas que deveriam ser tratadas como crime de maior gravidade.

Para se ter uma ideia da dimensão do problema, autoridades coreanas afirmam que aproximadamente 2,3 milhões de pessoas utilizam servidores privados todos os anos no país, causando prejuízos estimados em 360 bilhões de won, cerca de US$ 240 milhões, para a indústria de games. Diferente do Brasil, a Coreia do Sul trata o mercado de jogos como um setor estratégico da economia, o que ajuda a explicar a postura mais rígida das autoridades.

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